-Uribe quer terceiro mandato

April 10th, 2008

“Uribe quer um terceiro mandato e a única que pode concorrer com ele é Ingrid ”

Para o arquiteto Juan Carlos Lecompte, marido de Ingrid Betancourt, o presidente colombiano não se esforça para a libertação da refém por temer sua oposição na política

Ricardo Mendonça

 
Lecompte:  “A voz de Ingrid seria muito forte contra Uribe”

Para o arquiteto Juan Carlos Lecompte, marido da ex-senadora Ingrid Betancourt, o presidente colombiano Álvaro Uribe não tem interesse de lutar pela libertação da refém. Quando foi seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, em 22 de fevereiro de 2002, Ingrid era candidata à presidência do país e, se fosse libertada do cativeiro, ainda hoje representaria forte oposição ao governo. Por isso, Lecompte tenta envolver outros líderes regionais nas negociações com as Farc. Depois de uma rápida visita ao Brasil, ele diz que está frustrado com a falta de envolvimento do presidente Lula, pois acha que o brasileiro seria um ótimo negociador. Lecompte, que atualmente dedica metade de seu tempo à libertação da mulher, elogia a atuação do venezulano Hugo Chávez, “o único que apresentou resultados concretos até agora”, diz. A entrevista foi concedida entre São Paulo e Bogotá, durante seu vôo de volta para a Colômbia, onde mantém uma agência de publicidade:

ÉPOCA - Tem alguma notícia recente sobre a saúde de Ingrid?
Lecompte -
Me disseram há poucas horas que ela estava precisando de uma transfusão de sangue. Não me confirmaram, mas sabemos sim que seu estado de saúde é muito crítico, muito delicado.

ÉPOCA - Que avaliação o senhor faz do papel desempenhado pelo presidente Uribe nas negociações pela libertação de Ingrid?
Lecompte -
O presidente Uribe não tem uma real vontade de solucionar o problema. Ele faz algumas coisas para que a opinião pública acredite que ele quer uma solução. Mas se ele quisesse mesmo solucionar, já poderia ter feito há muito tempo. Cada vez que a liberdade de minha mulher está próxima, acontece algo. Há um ano e meio, quando diziam que já estavam prontos para libertá-la, puseram uma bomba numa escola militar ao norte de Bogotá e disseram que havia sido a guerrilha, mas depois não se provou nada. Agora, quando já estavam liberando alguns seqüestrados, ocorre a morte de Raúl Reyes em território equatoriano. Isso é um obstáculo, um problema, que trancou a libertação de Ingrid. Sempre que estamos perto, ocorre algo. É recorrente.

ÉPOCA - Raúl Reyes era o interlocutor das Farc com a família?
Lecompte -
Sim, mas com o governo. Com o governo francês e com o governo equatoriano.

ÉPOCA - Então o senhor acredita que há um boicote do governo Uribe, algo para impedir a libertação?
Lecompte -
Há uma pesquisa do Gallup que saiu há uns quinze dias dizendo que após a morte de Reyes a popularidade de Uribe disparou. Foi para 80%. A mesma pesquisa mostra que a segunda popularidade na Colômbia é a de minha mulher, Ingrid Betancourt, com 72%. Uribe quer um terceiro mandato e a única que pode concorrer com ele é Ingrid. Eu acredito que isso influi muito, faz com que ele não tenha muita motivação para liberá-la. Ingrid seria um contrapeso ao sistema quase ditatorial que ele impôs à Colômbia, de mão dura, de extrema direita, de vínculos com grupos paramilitares. A voz de Ingrid seria muito forte contra Uribe.

ÉPOCA - Uribe propôs recentemente uma troca de prisioneiros por pessoas seqüestradas.
Lecompte -
É um pequeno passo, mas só isso. Se ele tivesse interesse de verdade, haveria dito que iria desmilitarizar a região entre Florida e Pradera, no sul do país, para, com observadores internacionais, sentar e negociar com a guerrilha. Foi um passo para lavar as mãos, pois o governo sabe que Ingrid está muito debilitada e que poderá morrer. Como Uribe quer se eleger pela terceira vez, está tentando mostrar para os colombianos que quer libertar os reféns, mas é só um pequeno passo. Ora, por que não fez essa proposta há dois ou três anos? Por que só agora?

ÉPOCA - O senhor irá incentivar Ingrid a voltar para a política?
Lecompte
- Sim. O último seqüestrado que foi libertado, Luiz Eladio Pérez, que saiu do cativeiro há um mês, disse numa entrevista que quer trabalhar politicamente com Ingrid, que quer servir ao Partido Verde de Ingrid, pois pensa que ela tem muito a dar ao país. Eu também acho.

ÉPOCA - Ingrid faria oposição a Uribe?
Lecompte -
A voz de Ingrid seria muito importante agora, porque na Colômbia há um presidente que quer se perpetuar no poder. Uribe foi eleito pela primeira vez e atuou quatro anos e na Colômbia quando era proibida a reeleição. Ele mudou a Constituição e se reelegeu. Agora quer mudar novamente e se eleger pela terceira vez. Há 25 senadores de sua coalizão que estão presos porque foram comprovados seus vínculos com os paramilitares e isso Ingrid denunciaria muito fortemente. Poucos sabem disso. Há 25 senadores, 25, que apoiaram Uribe e agora estão presos. Um deles estava despachando com Uribe no palácio horas antes de ser preso. Esse é um escândalo que querem esconder

ÉPOCA - E qual é a sua avaliação sobre o papel desempenhado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez?
Lecompte -
Chávez é o único que mostrou resultados positivos concretos. Já foram seis libertações e a guerrilha, quando liberta, diz que é como forma de reconhecimento ao trabalho humanitário que vem fazendo Chávez. Ele é uma pessoa honesta, que a guerrilha respeita e leva em consideração o que diz.

ÉPOCA - Algumas pessoas acusam Chávez de oportunista, de fazer uso político da situação.
Lecompte -
Se estão libertando seqüestrados, que façam o uso político que quiserem. Por mim não há problema algum: libertem Ingrid e façam o uso político disso.

ÉPOCA - Por que o senhor visitou o Brasil?
Lecompte -
O presidente Lula e o Brasil não se envolveram com o tema dos seqüestrados na Colômbia. Enquanto nossos problemas estavam restritos à Colômbia, simplesmente não acontecia nada, não havia esperança de nada. Quando internacionalizamos o problema, a Venezuela e a presidente Cristina Kirchner da Argentina se envolveram muito na campanha pela libertação de minha mulher, Ingrid Betancourt, e isso foi bom. Estive há 15 dias no Chile com a presidente Michelle Bachelet e ela também se comprometeu a trabalhar e ajudar a buscar a libertação dos seqüestrados, seja acompanhando as iniciativas humanitárias do presidente Chávez ou alguma iniciativa nova. Se o Brasil e o presidente Lula acompanharem isso tudo mais de perto, poderá haver mais países ajudando e mais liberações. Eu fui ao Brasil para explicar o problema à opinião pública e pedir o apoio e o envolvimento brasileiro com o tema.

ÉPOCA - Não há sinal de envolvimento direto do governo brasileiro com o tema. O senhor tem alguma frustração com o Brasil por causa disso?
Lecompte
- Sim, claro. Agora mesmo seria muito importante, pois estamos num momento muito crítico. Há informações de que Ingrid está muito doente e poderá morrer a qualquer momento. Então necessitamos que países como o Brasil, que é uma potência latino-americana, se envolva. Tenho certeza que o presidente Lula poderia falar muito fortemente com o presidente Álvaro Uribe e muito claramente para a guerrilha para buscar uma solução. Lula seria o negociador perfeito.

ÉPOCA - O senhor teve algum encontro com alguma autoridade brasileira?
Lecompte -
Estive há quatro anos com o então presidente do Senado, José Sarney, mas não foi possível falar com Lula.

ÉPOCA - Como o senhor consegue trabalhar e fazer a campanha pela libertação de Ingrid simultaneamente? É possível?
Lecompte -
Nos dois primeiros anos eu não conseguia trabalhar, pois tinha que viajar muito. Não é só uma campanha, é minha vida tratar de libertar Ingrid. Hoje consigo trabalhar com publicidade, em sociedade com um argentino numa agência pequena. Neste mês, estive no Chile. Depois no Brasil. E agora vou para Paris onde no domingo haverá uma grande marcha pela libertação de Ingrid. Eu diria que uso a metade do meu tempo trabalhando e a outra metade dedicando forças à libertação.

ÉPOCA - Há uma discussão no Brasil se o país deveria ou não classificar as Farc como grupo terrorista. Qual a sua opinião sobre isso?
Lecompte -
Quando as Farc seqüestram civis, como Ingrid, é um grupo terrorista. Se a disputa é entre soldados capturados e guerrilheiros presos, é diferente. Eles estão libertando os civis. Já libertaram seis. Faltam quatro: Ingrid e outros três. Se libertarem esses quatro, poderiam pedir status de força beligerante.

-Governo Brasileiro se manifesta muito timidamente

April 9th, 2008

Governo brasileiro pede libertação de Betancourt

O governo brasileiro voltou a defender hoje a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de todos os seqüestrados em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e elogiou os recentes passos do Executivo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “o governo brasileiro acompanha com crescente preocupação a situação de Ingrid Betancourt”, e condenou a “prática inaceitável” do seqüestro.

O governo brasileiro, segundo o comunicado, “apela para que Ingrid Betancourt e outros cidadãos que estão em poder das Farc, em especial aqueles cuja saúde inspira mais cuidados, sejam prontamente libertados”.

Além disso, a nota expressa que o Executivo brasileiro “vê com interesse recentes manifestações do governo colombiano, no sentido de conceder anistia em troca da libertação de todos os seqüestrados, e considera que este caminho deve ser aprofundado”.

Por fim, o governo “renova sua permanente disposição em favor de ações humanitárias que contem com o apoio do governo colombiano”.

Betancourt foi seqüestrada em fevereiro de 2002, quando era candidata à Presidência, e está sob poder das Farc desde então.

Parentes da política franco-colombiana, como seu filho Lorenzo Delloye, pediram que o Brasil tenha um papel mais ativo em favor da libertação dos seqüestrados.

Durante os últimos anos, o governo brasileiro ofereceu seu território para realizar negociações e disse que está disposto a ajudar como for necessário, se houver uma solicitação da Colômbia, o que até hoje não ocorreu.
EFE

“O Governo só esquece de mencionar as manifestações do Brasil e também não dizem se o LULA vai receber o Juan Carlos, pois se querem um pedido da Colômbia nada melhor que receber o marido de Ingrid com o abaixo assinado brasileiro.”
Patricia Penna

-Ingrid sem febre amarela e sem malária

April 9th, 2008

Quarta, 9 de abril de 2008, 12h43

Marido: Ingrid não tem febre amarela nem malária

A franco-colombiana Ingrid Betancourt não sofre de febre amarela ou malária, pois foi vacinada contra as doenças em março de 2001, anunciou o marido da política ao iniciar uma viagem pela Colômbia.

Juan Carlos Lecompte se reuniu com um dos médicos franceses da missão enviada pelo presidente deste país, Nicolas Sarkozy, e entregou o histórico clínico de Betancourt.

De acordo com o histórico clínico da esposa, Ingrid foi vacinada contra as doenças em 2001 e as vacinas têm vigência até 2011.

“O médico ficou muito feliz porque isto significa que ela não padece destas doenças”, disse o marido da política, seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 23 de fevereiro de 2002.

Nesta quarta-feira, Lecompte chegou à capital do departamento de Guaviare, onde segundo boatos a esposa foi vista no início do ano.

Ele afirmou que pretende buscar informações sobre a mulher na região de florestas da Colômbia.

- Juan em 2007 e no Programa do Jô

April 7th, 2008

Juan Carlos Lecompte no econtro dos verdes na França em 2007
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Juan Carlos no programa do Jô
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-ORKUT

March 24th, 2008

Entrem na comunidade LIBERTE INGRID no orkut.

 http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=44679005